Qualidade de Software Colocada à Prova

Ampliação da demanda por profissionais especializados e crescimento da importância de uma abordagem diferenciada na aplicação dessas habilidades dentro dos projetos.

Esse é o cenário atual do segmento de testes de software em todo o mundo, uma vertente que cada vez mais integra e influencia a busca por mais qualidade no desenvolvimento de novos sistemas.

“Essa já é uma realidade tanto no âmbito do governo como na iniciativa privada. Ter profissionais qualificados na área de testes está se tornando comum em licitações de desenvolvimento de software, pois vem crescendo no mercado a consciência de que essa parte do processo exige conhecimentos específicos, que contribuem decisivamente para o sucesso de um projeto”, explica Osmar Higashi, diretor do BSTQB (Brazilian Software Testing Qualifications Board).

O BSTQB é o conselho brasileiro responsável pelas certificações de profissionais de teste de software e está diretamente ligado ao ISTQB (International Software Testing Qualifications Board), entidade que oferece um programa de qualificação internacional e tem como objetivo fomentar o reconhecimento dessa disciplina como elemento independente da engenharia.

“O desenvolvedor não é o testador, são perfis totalmente diferentes. O testador trabalha com outra mentalidade, pois quer encontrar possíveis erros e tem em mãos um conhecimento mais abrangente para realizar esse tipo de tarefa”.

Passo a passo

Paralelamente a essa nova visão que vem se configurando no mercado de desenvolvimento de softwares, Higashi defende que ainda existem certos equívocos na aplicação dos testes nesse cenário, especialmente no caso de fábricas de software que lançam mão desses recursos apenas em determinadas fases do projeto.

“Quanto mais cedo eu começo a testar, mais barato será o desenvolvimento do sistema. Corrigir os erros na medida em que eles são identificados aprimora o processo e evita possíveis retrabalhos que podem sair muito mais caro se forem verificados apenas lá na ponta, no final do projeto”.

O diretor da BSTQB também destaca que a prática dominante ainda é a realização dos testes nas fases de homologação e implementação, quando na verdade, eles deveriam obedecer a uma ordem de evolução do projeto, etapa por etapa, especialmente no caso de setores com operações críticas, que dependem de softwares extremamente alinhados com suas demandas, como as instituições financeiras e operadoras de telecom.

Divisão de responsabilidades

A exigência por especialização e a necessidade de uma nova abordagem no campo dos testes vão ao encontro de uma transformação que começa a ganhar força no mercado brasileiro de softwares, assim como já acontece de forma mais consolidada em outros países, como por exemplo, a Índia, onde essa cadeia é mais segmentada.

“O mercado deve começar a se dividir em termos de modularização, com a ampliação de empresas que terão como foco apenas algumas etapas do projeto, como por exemplo, requisitos e análises. Quanto aos testes, acredito que devam ficar sob responsabilidade de terceiros, e de preferência, entidades independentes”, afirma Mauro Spínola, professor doutor da Escola Politécnica da USP e consultor de empresas nas áreas de Tecnologia da Informação e Qualidade de Software.

Em direção ao desafio dos fabricantes brasileiros em obterem softwares mais qualificados, o consultor também ressalta a necessidade de superar a relação ainda distante entre desenvolvedores e usuários, que acaba por influenciar a satisfação das expectativas identificadas inicialmente nos projetos.

“Ainda não chegamos a um patamar comum de cognição. Na definição clássica, qualidade é conformidade com os requisitos. Na área de software, alcançar esse nível é ainda mais problemático que em outros segmentos, pois a dificuldade já começa na definição dos próprios requisitos”.

Segundo Spínola, outra questão deve ser priorizada pelos fabricantes brasileiros no sentido de elevar a produtividade e a qualidade dos sistemas desenvolvidos no país. “Esses esforços não podem ter seu foco apenas no produto, mas também nos processos. É preciso buscar processos amadurecidos, para que nossos softwares atendam exatamente às necessidades dos clientes”, conclui.

Fonte: Decision Report
Por: Moacir Drsk